Vamos subir pra Petrópolis ?

 

Este ano comemora-se os 200 anos da chegada da família Real ao Brasil e falar sobre Petrópolis vem a calhar. Segundo o historidador Alcindo Sodré :  “para dizer-se alguma coisa sobre o último Imperador do Brasil é indispensável falar-se de Petrópolis”.   D. Pedro II recebeu de herança do pai D. Pedro I,  a Fazenda Córrego Seco que foi comprada depois de ter se encantado com a Mata Atlântica e o clima ameno da região, ao viajar do Rio para Minas. Lá pretendia construir seu palácio de verão que seria o Palácio da Concórdia. Tendo retornado a Portugal, e não voltando ao Brasil, morreu sem ver realizado seu sonho. D. Pedro II herdou do pai a fazenda, e em 1845  mandou construir sua residência de veraneio, hoje o Museu Imperial. Para lá se transferia no verão com a família, com clima bem mais fresco que o Rio. Lembrem-se que naquela época não se usava bermuda e não havia ar condicionado  😉  Com a transferêcia do centro do poder para Petrópolis, o corpo diplomático também se transferia para a cidade que fervilhava. Na história republicana, o mesmo se repetiu. Enquanto a capital do país era o Rio de Janeiro,  os presidentes também se transferiam para Petrópolis no verão, hospedando-se no Palácio Rio Negro na Av. Koeller que é aberto à visitação, não deixem de ir. Passar o verão em Petrópolis  também era um hábito das famílias com maior poder aquisitivo,  .

 

   Palácio Rio Negro

 Palácio Rio Negro iluminado

Crédito: Andredenery

O Museu Imperial é  programa  obrigatório em Petrópolis,  um dos mais bonitos e organizados que conheço no Brasil com acervo belíssimo de jóias da coroa.   Depois de percorrer o museu, uma paradinha no simpático bistrô ainda nos jardins.  Há também um espetáculo de som e luzes à noite  que se possível, não deixem de assistir. As imagens dos personagens da história da monarquia  são projetadas em nuvens de água e na fachada da casa, bárbaro.  O preço do ingresso não é muito barato, mas um grupo de 4 ou 5 pessoas, tem desconto, fora a meia entrada para estudantes.

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Museu Imperial

Jardins do Museu Imperial.

 

 

Petrópolis tem bastante história que vai permear o post.

Eu não sei se vocês sabiam, mas a 1a estrada de ferro brasileira foi a que ligou Petrópolis  às  Minas Gerais. 

A estrada de ferro do Rio para  Petrópolis foi inaugurada em 1883 por D. Pedro II com pompa e circunstância !! E acreditem foi desativada em 1964 !!! Era só colocar os trilhos de volta,  e nos livraríamos do carro  :mrgreen:   Bem que o Eike Batista podia se candidatar a recuperar este belo passeio turístico, né mesmo ? Então fica lançada a bandeira, ferrovia já para Petrópolis  😆

A cidade fica muito perto do Rio, são 66 km e subir aquela serra já faz um bem danado pro corpo e pra alma,  adoro  abrir as janelas do carro e respirar fundo, pois é como se estivéssemos ligando o ar condicionado natural,  além de ser um prazer para os olhos admirar a mata com aquelas  árvores centenárias, como jequitibá,  canela-santa,  palmito e jacarandá, e bromélias, muitas bromélias. Também passa-se por algumas fontes de água natural, tem gente que dá  uma paradinha para refrescar.

A estrada União Indústria foi a 1a rodovia brasileira inaugurada por D.Pedro II em 1861, ligando Petrópolis a Juiz de Fora. A importância da estrada gerou o primeiro guia de viagens do Brasil, escrito pelo fotógrafo do Imperador, o francês Revert Henrique Klumb, intitulado: “Doze Horas em Diligência – Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora”, editado em 1872, descrevendo com palavras e fotografias a fantástica viagem. A União e Industria foi substituida pela BR 040 Rio-Juiz de Fora.

A Rio Petrópolis foi a 1a rodovia asfaltada  inaugurada pelo presidente “estradeiro” Washington Luis, que levou seu nome. Tal como D. Pedro II, a  estrada velha para Petrópolis  ainda pode ser percorrida, mas sem o charme das carruagens. Dá um belo passeio eco-turístico pra Emília com direito a trilhas e cachoeiras.

A rodovia Rio – Petrópolis foi considerada, por muito tempo, a melhor rodovia da América do Sul. Com o passar dos anos e aumento de fluxo de caminhões e carros, no final dos anos 50 foi construida a “Estrada do Contorno” de Petrópolis, ligando Itaipava a Xerém, que passou a ser usada como pista de descida. Atualmente, a antiga Washington Luiz serve como pista de subida da BR-040 até a entrada de Petrópolis (Quitandinha), onde se inicia a Rio-Juiz de Fora.

Passei minha infância subindo no verão para Petrópolis, mais precisamente para o Vale da Boa Esperança, hoje em dia lugar de bacanas, como o Antonio Bernardo. Fica no início da estrada  que liga Petrópolis a Teresópolis e que a acha linda,  e ao lado do Vale do Cuiabá, onde está a Pousada Tankamana.

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Achei esta foto um barato, reparem o carro.

Dando uma espiada na internet, passei por este flog Saudades do Rio e copiei essa foto que me remeteu à infância,  quando o traçado anterior ao atual passava por baixo desta pedra e dava um frio na barriga, o maior medo da pedra desabar. Depois mudaram o traçado, passamos por um túnel.

Petrópolis é tão gostosa e tão pertinho que no verão,  às vêzes dava na telha e  subíamos cedo para passar o dia na cidade começando com um café da manhã no D’ Angelo que tinha um chocolate quente com torradas Petrópolis, djilicia. Muitas vêzes subimos para jantar em Petrópolis.  Hoje em dia, o chocolate deve ser comprado na lojinha de chocolates Katz, na R. do Imperador.  Parada obrigatória antes de chegar a Petrópolis é a Pavelka que tem sanduiches de pão de leite com lingüiça de frango, croquetes que desmancham na boca e um mil folhas de creme imperdíveis.

A cidade foi colonizada por alemães e suiços, sendo que muitos bairros têm nomes de regiões da Alemanha, como Bingen, Mosela, Westphalia, Nassau, Ingelheim, Castelânia etc .  A arquitetura das casas e pequenos prédios têm predominância de  estilos alemão e suiço.  

Ainda há descendentes destes colonos por toda a cidade e seus nomes de família podem ser encontrados no Obelisco do centro da cidade  e dão nomes à ruas e praças.

 

Em julho tem a Bauerfest, com desfile de descendentes de imigrantes e farta distribuição de cerveja no final.

 

 

     

       

Todo mundo curte horrores este desfile, câmeras digitais all the time,  clicando tudo. Mas, o momento mais engraçado e esperado é o final, a cerveja sendo distribuida de graça num caminhão 😉

Vale tudo, o pessoal coloca bambu e na ponta vai caneca, balde, qualquer coisa pra pegar a cerveja na maior quantidade possível, você morre de rir.

 

O Centro Histórico de Petrópolis está muito bem conservado, os casarões e monumentos todos restaurados.  Adoro, como D. Pedro II fazia, andar a pé por aquelas ruas.

 

 

A Catedral São Pedro de Alcântara em estilo neogótico, considero uma das mais bonitas do Brasil. Lá estão os restos mortais de  D. Pedro II, da princesa Teresa Cristina e da Princesa Isabel.

 

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Catedral com nova iluminação.

Antiga Prefeitura

O Palácio de Cristal foi construído nas oficinas de S.A de Saint-Sauver-Les Arras (1789) na França, na mesma época em que estava sendo construída a Torre Eifel. Foi inaugurado em 2 de fevereiro de 1884.

O Palácio de Cristal foi um presente do Conde D’Eu à sua esposa, a Princesa Isabel ligada à Associação Agrícola e Hortícola de Petrópolis (ou seja, inicialmente o prédio destinava-se a ser a sede da “Associação Hortícola e Agrícola de Petrópolis” formada pela alta aristocracia petropolitana). Foi ali, numa cerimônia realizada em abril de 1888, que a Princesa Isabel conferiu Títulos de Alforria aos 103 últimos escravos em Petrópolis.

A casa onde morou Santos Dumont deve ser  visitada. Se houver grupo subindo, espere um pouco que logo esvazia. Há umas invencionices interessantes, como o chuveiro que Santos Dumont  bolou.

Caminhando

pela

Av. Koeller

A casa onde moraram a Princesa Isabel e o Conde D’Eu até a proclamação da República, e onde tiveram os 2 primeiros filhos  é aberta à visitas. Nesta casa D. Pedro II tomou conhecimento do movimento militar que instituiu a República é tombada pelo Iphan. Funciona na casa, o Antiquário da Princesa e a sede da Cia. Imobiliária de Petrópolis que recolhe o laudemio, imposto sobre transações imobiliárias recolhido à família real.

 

Pousada Monte Imperial

A casa é do século XIX.

Hall muito simpático.

Pousada

Solar do Império

que tem o  restaurante Leopoldina, aprovadíssimo! A chef é a Claudia Mascarenhas. O bacallhau é dos deuses.

Tá aí pra SandraM ter uma idéia, o Hotel Casablanca que fica ao lado do Museu. Dei uma subidinha e cliquei o hall para os quartos que têm portas de pinho de riga com pé direito alto, na casa antiga.

 

O restaurante.

Se você  for no feriado de Corpus Christi vai encontrar a cidade com os moradores caprichando na confecção dos tapetes de sal para a procissão.

Do outro lado do rio, lá estão  os jardins do Museu.

 

Rua da Imperatriz.

A procissão sai da Catedral, segue a R. da Imperatriz que margeia o rio, dá a volta em frente ao Museu e volta pelo outro lado do rio até a Catedral.

Mais tarde pode-se almoçar na Majórica, uma churrascaria na rua principal, a Imperador. Está na 3a geração, pai, filho e neto. Tem carne muuuito boa e umas batatas estufadas de tirar do sério, tem que comer sem culpa 😉  Apesar de ser churrascaria servem também bacalhau, camarão etc.

O Cento Histórico é para ser percorrido a pé com ruas planas.

Saindo pros lados de Itaipava, Araras, Vale Florido e Corrêas, região montanhosa de casas de veraneio e pousadas aconchegantes que formam hoje em dia um polo gastronômico com excelentes restaurantes, você encontra por exemplo,

 

em Corrêas, a Pousada Alcobaça, dica do Riq.

Muito bom gosto na decoração.

A cozinha de D. Laura é um luxo ! Ela morou muitos anos em São Paulo e no Rio.

Pode-se almoçar, mesmo não sendo hóspede da Pousada, mas claro  fazendo reserva antes.  D. Laura faz uma quiche enoorme de entrada com salada de folhas da horta que já valem o almoço e fechando um bolo de chocolate com calda, destes que você come ainda quentinho, nhamm.

Espiadinha nos quartos.

Tá ai, o  Locanda della Mimosa, do Danio Braga. Fica no Vale Florido. É o único restaurante

da América Latina que consta do guia Les Grandes Tables du Monde e  3 estrelas do Michelin. É excelente !! O Danio Braga é um sommelier conceituado e tem no Locanda uma adega  excepcional.

Estas fotos surrupiei do site deles.

 

Corrêas tem um dos melhores climas do Brasil. No início do século XX, quando a turbeculose não tinha cura, o sanatório de Corrêas era indicado para tratamento por médicos da Europa. Minha mãe contava sempre que minha tia avó teve um filho que contraiu turbecolose ainda rapaz, e como o pai era diplomata na Europa, os pais o levaram para tratamento lá, e ela ouviu do médico o seguinte ” a senhora tem no Brasil um dos melhores climas do mundo, leve-o para o sanatório de Corrêas “. Este sanatório existe até hoje.

 

E aí está o Quitandinha que foi um grande cassino, hoje em dia hotel e apês de moradia. A entrada em  Petrópolis pode ser por Quitandinha ou pelo bairro Bingen que é o caminho que uso.

Petrópolis com esta história toda  está de portas abertas para a modernidade com o projeto Petrópolis digital,  parceria da Prefeitura com a Proderj e a Motorola, instalando hot zones em alguns pontos da cidade na R. 16 de Março, Imperador, no Palácio de Cristal, Praça da Liberdade e mais duas outras praças. 

Dicas:

Qualquer uma das duas Pousadas, tanto a  Monte Imperial , quanto a Solar do Império ou o Hotel Casablanca em Petrópolis está em boa localização, sendo possível percorrer a pé o Centro Histórico. Há inúmeras outras pousadas e hotéis, estes 3 foram citados  porque visitei.

Hospedando-se em Petrópolis pode-se almoçar em Corrêas ou Itaipava, a uns 30 min de carro. Pousada Alcobaça – reservas tel: (24) 2221-1240 
O mesmo vale para o Locanda della Mimosa, no Vale Florido, indo até a BR040. Reservas tel: (24) 2233 5405

Para um passeio de um dia a Petrópolis, caso não esteja de carro, há ônibus para Petrópolis a partir da Rodoviária Novo Rio ou durante a semana pelo Terminal Menezes Cortes, no Centro da Cidade. A nova Rodoviária de Petrópolis fica fora do centro, novinha em folha e há micro-ônibus a R$2,50 até o centro da cidade.

Museu Imperial – horário: terça a domingo: 11:00 às 18:00h – ingressos: R$8,00 estudantes pagam meia entrada /  pacote familiar 2 adultos e 2 estudantes: R$20,00 Espetáculo Som e Luz: R$ 28,00 e estudantes R$14,00

Os chocólatras podem se deliciar na Katz. R. do Imperador, 912.
Churrascaria Majórica, R. do Imperador,  754 – tel: 24 2242 2498
Restaurante Leopoldina, no Solar do Império – Av. Koeller, 376 – tel: 24 2103 3000 / 2242 0034
Agora, dicas para a ala feminina: a R. 16 de Março, no centro tem o melhor comércio de Petrópolis. A rua é quase só de pedestres, fizeram obras há 2 anos, colocaram cabeamento subterrâneo, calçadas novas e largas, pista estreita para carros,  só passa um. Há várias lojas do Rio, mas algumas petropolitanas como a Nobuck, de bolsas de couro, Beth Bragança de roupas, Caramello de blusas e Anick de roupas. Valem uma visita.  Há também a R. Teresa, com uma infinidade de lojas de malhas.

 

Em Itaipava a Cerâmica Luiz Salvador tem inúmeros objetos de louça pintada de bom gosto.
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