Síndrome da classe econômica

Acho que muitos já sabem que a Bia teve uma embolia pulmonar que só começou a manifestar sintomas, 6 dias após a nossa viagem de volta de Milão para o Rio, no dia 11. Foi internada no CTI, onde  ficou  8 dias. Ela correu risco de vida, e o médico declarou que embolia pulmonar pode matar em minutos. Graças a Deus, ela já está em casa se recuperando. 

Ao diagnosticar pelo ecocardiograma, o trombo no pulmão que se descolou de um outro trombo que se formou na virilha, os médicos fizeram uma série de perguntas, pois não entendiam como ela tinha tido a embolia, sem doença circulatória ou cardíaca. Ao relatar as atividades das últimas semanas, comentamos que tínhamos feito uma viagem de avião de Milão para o Brasil. Imediatamente, os médicos disseram ” isto é a síndrome da classe econômica. Como assim ? Isto não ocorre em passageiros que  viajam  em classe executiva e 1a classe”.   

Conclui-se que este episódio é mais freqüente do que se imagina, tanto que já há o jargão médico Síndrome da Classe Econômica

Achei que tinha a obrigação de escrever sobre isto, divulgando o risco que corremos, ao viajarmos cada vez mais compactados na classe econômica, sendo que este risco aumentou proporcionalmente à  ganância das Cias. Aéreas que nos últimos anos apertaram cada vez mais o espaço nos e entre os assentos.

É preciso que Constantino da Gol/VARIG, a família Rolim da TAM atentem para o fato de que são co-responsáveis por danos físicos  que podem levar à morte, causados aos passageiros que viajam na classe econômica, como sardinhas em lata, por longas horas.  E, não há dinheiro que pague a vida de uma pessoa. Tenho dito.

Se você quiser, aproveite e  bote a boca no trombone, a casa é sua 😉

Aproveito para agradecer o carinho e orações de todos pela recuperação da Bia,  sejam  leitores silenciosos ou falantes deste blog, em especial ao Zé e Débora que deram a maior força, o mesmo à Emília, Mô e Meilin e ao nosso querido  comandante Riq. Brigada mexxxmo  🙂

Sei que esta seara é do Rodrigo  😉 Prometo que não vou mais falar sobre aviões.

Continuarei contando as peripécias de nossa viagem à Sicilia, como tenho feito, agora indo para Siracusa. A quem interessar, coloquei hoje  fotos do hotel Gutkowski  no post  Viagem à Sicília.

Contribuição doque deixou o link desse artigo na caixa de comentários:

Doctors Unite In Their Fight Against Economy Class Syndrome

Air travel is associated with a two- to threefold increased risk of developing thrombosis, experts said at the 12th Congress of the European Hematology Association (EHA) in Vienna (Austria). Doctors urge the EU and national governments to help make air travel safer by supporting research into preventing travelers’ thrombosis.

The case of a young English woman who died shortly after a long haul flight from Australia in 2000 has gradually faded from public consciousness. That is unfortunate. Her death highlighted a problem that has long been grossly neglected: the risk to air travelers of venous thrombosis. A contributing factor to the cramped seating in economy class flights may be specific to the cabin environment, i.e. the low air pressure.

With two billion people boarding a plane annually, the danger venous thrombosis presents should be taken very seriously, says Professor Frits R. Rosendaal, from the Leiden University Medical Center (NL), at the European Hematology Association Congress meeting in Vienna from 7 to 10 June 2007. A recent WHO project (the WRIGHT, or WHO Research Into Global Hazards of Travel, project), the results of which are about to be made public, has shown that air travel is associated with a two- to threefold increased risk of developing blood clots in the legs, (deep vein thrombosis or DVT) or in the lungs (pulmonary embolism or PE).

“The risks of developing thrombosis when traveling are higher for people with certain common abnormalities in the blood, for women who use birth control pills, or people who use sleeping pills on a flight, as well as for people who are very tall, very short, or overweight”, Professor Rosendaal says. “There may be a 50 to 100-fold increase in risk for people with combinations of those factors.”

Hoje, dia 6 de setembro, por uma coincidência, o caderno Boa Viagem do jornal O Globo, publica a matéria CLASSE econômica  que  aborda exatamente o tema das poltronas apertadas e o desconforto e riscos à saúde dos passageiros,  abraçando a idéia do Ministro Jobim que tem reclamado do assunto. O jornal pediu a quatro designers  que redesenhassem as poltronas, sem que sejamos cutucados pelo passageiro da poltrona de trás, o que não acontecia nos espaçosos Electra da Varig.

 

A foto da esquerda é do Electra da Varig com assentos confortáveis e afastados, permitindo que se estique as pernas 

A foto da direita é do arquiteto Chico Vartulli que calculou as distâncias no croqui, a partir da medição de seus próprios movimentos numa cadeira de casa

Acima gráfico com distâncias por aeronave: GOL Boein 737 178 poltronas com 74cm entre uma poltrona e outra – TAM Airbus 144 poltronas com 73,6 cm – Electra da Varig  98 poltronas com 85 cm de distância entre uma e outra

Menciona também que existe um estudo da Organização Mundial da Saúde que alerta para o risco de desenvolvimento de trombose venosa por conta da longa imobilidade numa área reduzida. Este é o mais grave, mas não o único perigo. Segundo o jornal,  o Ministro Jobim resolveu bolar novas regras para a disposição dos assentos que serão publicadas no site da ANAC, e receberão críticas e sugestões até 1o. de outubro. 

As cias aéreas não querem perder receita, mas  nós, passageiros e clientes, temos o direito de exigir as condições mínimas de conforto e segurança à nossa  saúde. Devemos pressionar e interferir para que esta situação mude,  e a hora é agora.

Latas de sardinha  voadoras http://oglobo.globo.com/pais/mat/2007/08/17/297308768.asp

Populismo aéreo

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/08

Síndrome da Classe Econômica

 http://veja.abril.com.br/210301/p_072.html

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